Verás aqui...

Ah... tanto mar. Tanto amor.
Sou um pedaço de vida que desperta a cada instante. Amo!
Teve um dia em que o mar levou um corpo, cheio de pensar, de achar. Neste mesmo dia o corpo escoriado nadou, sentiu, amou no mar. Viveu em mar. No corpo, agora Maria. Cheia de sentir. Muito que viver, tanto que amar. Ainda sim, cheia de pensar. Mas quando escreve, não pensa, transmite.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Sobre partidas, despedidas e silêncio


É um silêncio que anuncia. Que prenuncia. É a pré-partida.
Em partes, fico a remoer momentos que de velhos já cansaram de ser tocados. Querem parar por ali mesmo, onde já estão a descansar. Ou tentam.
É que estou à revelia do acaso, do tempo. A qualquer momento revelável pelo silêncio, que tento silenciar com mil movimentos tortos, perdidos, servis à impaciência. A desculpa desta vez é o aguardo pelo dia que não chega, e que está logo ali. Mas sou também a paciência. Aprendi a sê-la por não ter outro jeito. Pacientemente, dou voltas e me iludo de que ele, o silêncio, não está aqui.
A viagem longa, por tempo ou por distância, é sempre um aval para o medo de perda, de alguém que parece que vai morrer. Ou eu ou outrem. É o medo de perder o fio da meada, da toada, da ausência do passado que me deixará na solidão do tempo. Num tempo só, único, desatrelado de continuidade, passada e futura. Na linha dos tempos eu supostamente sei quem sou. No ponto atemporal, não faço a menor idéia. É um temor do império da eternidade.
Muitos propuseram um evento de despedida. Ah, não me sinto confortável como anfitriã de eventos. Menos ainda de despedida. Prefiro seguir meu curso, e saudando os presentes que recebo pelo caminho. E de uma forma desinteressada, vou encontrando muitos dos que eu chamaria para o “evento que não faria”, com cada um a curtir o momento próprio a que nos cabe. E será apenas uma curta temporada de longa duração, oras! Durará mais pra quem vai ou pra quem fica?
No momento estou só, bem só, mas sempre acompanhada. E observada de longe. Agraciada por eternas companhias ternas, mesmo que em suas ausências presenciais. É algo, assim, meio espiritual. Acabo de me despedir de queridos que vieram pra jantar, brincar, se fantasiar. Daqui a algumas horas receberei mais visita. É o tempo me trazendo os presentes, e meu coração recebendo-os cheio de graça.
Vou parar agora. Receber o silêncio que me aguarda todos esses instantes, ao meu lado (ou dentro de mim) esperando a sua vez. Cerrarei os olhos, o que me fará naturalmente suspirar, lenta, pausada e profundamente. Sei que em breve vou senti-lo adentrando meu corpo, fluindo por entre minhas entranhas. Vou enfim conceder o meu Amor ao vazio mais pleno que existe. Não terei mais medo. Declararei, então, meu Amor total a ele. E assim chegarei ao...
O telefone toca. A visita chegou. Me aguarda na estação.
Mais uma vez, mais uma esquiva. Que medo será esse de encontrá-lo?
Quem sabe um dia? Um dia. Um dia, quem sabe?

4 comentários:

deaconti disse...

Às vezes me assusto com a sua fala. Não sei porque. Um presságio, talvez? Espero que parta e volte. Feliz, mas volte.

te amo
boa viagem, filha

Cláudia disse...

Mama, falo apenas de meditação. Voltar ou não, não é o caso. Farei o que me deixar feliz. Não faço planos de ficar por lá. Faço planos de muitas coisas por aqui. Mas sempre deixo o caminho ser desenhado sem algemas, correntes, etc.
Te amo, estaremos sempre juntas. Perto , longe, seja lá como for.

ram horizonte disse...

Boa Viagem e ótimo aprendizado!
Hz

Lau(ra)roots disse...

compreendo a necessidade da partida, do silêncio e do inesperado.
Mas tudo ao seu tempo, saberás o quanto é bom a volta, o encontro da palavra certa e daquilo que deixaste para traz
isso é crescer...o resto é brisa