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Ah... tanto mar. Tanto amor.
Sou um pedaço de vida que desperta a cada instante. Amo!
Teve um dia em que o mar levou um corpo, cheio de pensar, de achar. Neste mesmo dia o corpo escoriado nadou, sentiu, amou no mar. Viveu em mar. No corpo, agora Maria. Cheia de sentir. Muito que viver, tanto que amar. Ainda sim, cheia de pensar. Mas quando escreve, não pensa, transmite.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Alma da Natureza



(tirado da Revista Natureza
Texto: Roberto Araújo – amailto:araujo@europanet.com.br)

"As plantas são como as crianças. Pequenas, dependem da gente para tudo. A rega diária, o olho sempre acompanhando o desabrochar de cada pequenina folha; o cuidado de preservar contra qualquer perigo, o zelo de manter longe a menor das formigas. Como foi com a própria mão que se fez a cova, dá para imaginar as raízes buscando nutrientes, gerando seiva e fazendo as plantinhas crescer.
A primeira divisão do ramo é quase como o primeiro dentinho de uma criança. A gente celebra feliz. Está dando certo. Não se trata de uma alegria solitária. É entre você e ela. Não importa o que os outros pensem. A sensação é de estar enamorado por aquela vida que brota. Quanto mais você e ela se conhecem, maior a intimidade. E o gostar só faz crescer.
O tempo passa. Para as plantas e para você. Embora todo o dia ela esteja diferente, parece sempre igual. Só aos saltos você percebe: “Nossa! Como ela cresceu! Está maior do que eu.” Um dia, não sei se para ficar triste ou para celebrar, ela não precisa mais de você. É você que precisa dela. Da sombra, dos frutos, do canto dos pássaros em seus galhos. É em horas assim que fico me perguntando se as plantas têm alma. Li outro dia (em A Hipótese Espantosa: a Ciência em Busca da Alma, de Francis Crick) que, para nós, humanos, o cérebro é a alma, algo que mantém a dominação do corpo, quase como se fosse uma possessão a ser usada a seu bel-prazer. As plantas não têm cérebro, que eu saiba. Mas às vezes eu tenho a nítida impressão de que todos estão atuando em conjunto, numa harmonia que só existe para os olhos que sabem ver, e que, na falta de outras palavras, a gente chama de Natureza.
Talvez por isso a cada dia me convenço mais de que a jardinagem e paisagismo são atividades para pessoas especiais. É preciso ter uma certa nobreza de espírito, um espaço interior livre das mesquinharias do “tudo sou eu e tudo deve ser meu” para que caibam também plantas, idéias e pessoas. Uma generosidade de gostar de propagar a vida esperando como recompensa apenas a existência de novos seres. E se alegrar infinitamente com isso."

3 comentários:

Dea Conti (a filha) disse...

Essa precisa ser lida pelos Velhos Pais... Pura sensibilidade.

F. SPACASSASSI disse...

Amor sinonimo de consciencia/ bondade sinonimo de conhecimento.

Hapi disse...

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