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Ah... tanto mar. Tanto amor.
Sou um pedaço de vida que desperta a cada instante. Amo!
Teve um dia em que o mar levou um corpo, cheio de pensar, de achar. Neste mesmo dia o corpo escoriado nadou, sentiu, amou no mar. Viveu em mar. No corpo, agora Maria. Cheia de sentir. Muito que viver, tanto que amar. Ainda sim, cheia de pensar. Mas quando escreve, não pensa, transmite.

sábado, 14 de novembro de 2009

Sou Eu, a Confiança


O Amor me escapa. É uma linha tênue prateada. Um fio fino que passa no centro do meu corpo. O Trabalho que o Mestre dá me põe à prova para que seja feita a escolha de por onde seguir.
De passo em passo vou aprendendo que a escolha pelo fio prateado, apesar de desconhecido e não trazer promessa alguma, é a serena decisão de me libertar das ilusões do passado e do futuro. De soltar meu coração aprisionado pelo medo, para sentir as Graças a fluir como água, numa tão doce pureza.
A agonia que dá ao me deparar com a escolha de permanecer nesse alinhamento e deixar todas as nuvens de histórias planejadas passarem, contendo-me do impulso de agarrá-las com unhas e dentes, é somente a sombra da desconfiança. É o medo de me jogar, acreditando não saber voar. É o medo da lá ficar sozinha. É o não saber da entrega a Quem cuida de mim e está sempre a me amparar. Então é raro de eu entrar lá e abrir os olhos do peito, o coração. Quando tão pouco decido entrar, faço encolhida e medrosa, como a criança que fecha os olhos frente à grande altura. Mas não mais procuro as pernas da mãe a abraçar. Neste momento já quero estar só. Sei da necessidade de, só, aprender a ser plena.
A linha tênue está aqui, dentro de nós sempre, e nos ensina pouco a pouco a soltarmos a mão do medo e voar num sopro de êxtase. Sei que nessa imensidão há alguém esperando por nós. Sou Eu, verdadeiramente Eu. Todo esse tempo nos fazendo lembrar que somos o próprio vôo da confiança e liberdade. Sou Eu nos acordando de mansinho com a mais bela orquestra montada para cantar divinamente a todos nós. Sou Eu, nos amando profundamente. Sou Eu, nos convidando para irmos onde estou, nas dimensões do além. Sou Eu, o Pai do Amor e a Mãe Soberana orando por nós, seus filhos, para alcançarem a serena Luz e lá sermos apenas Um.

5 comentários:

Dea Conti (a filha) disse...

Sinto falta das vezes que você se agarrava a mim... Na verdade, não de quando o desespero ou o medo levavam você até mim - você nem imagina como torço por sua emancipação -, mas de quando ficávamos mais tempo juntas e seu carinho era mais presente.

Estou feliz por você e sua caminhada!

Te amo.

Cláudia disse...

Sinto falta de quando você se agarrava em mim. De quando ficávamos mais juntas e seu carinho era mais presente.
Te amo muito.

cigarra disse...

lindo, lindo lindo
sinto a falta de vcs duas, mas pertinho fisicamente, pois sinto que conectadas estamos cada vez mais.
Cau, me tocou profundo. Será que é porque somos todos tão iguais em meio a tanta diversidade?
as vezes tb tenho medo de pular e não saber voarrrr.
é a tal história da águia que cresceu no meio do galinheiro e até faz cocoricó. é só abrir as asas, mas falta confiança.... deixar de se identificar com a galinha....
beijos
Flá

Cláudia disse...

Tem também aquela carta do Osho, do leão que cresceu no meio dos cordeiros, e achava que era um deles. Até o dia em que olhou seu reflexo no lago. No comentário da carta, diz que a sociedade quer que fiquemos cordeiros. Atrapalha menos. Mas, se quisermos nos livrar da agonia do aprisionamento, ou melhor, se quisermos nos livrar do aprisionamento, temos que ter a confiança em nos tornarmos leão quandos nos descobrirmos um.

Dea Conti (a filha) disse...

Cordeiros, leões... "Assim falava Zaratrusta"... Puro Nietzsche!!!